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Simpósio de Oncobiologia é um sucesso!

Atualizado: 6 de dez. de 2022



Três dias de apresentações e interações entre pesquisadores e pesquisadoras que investigam diferentes tipos de câncer, usando diversas metodologias e abordagens, em diferentes institutos de pesquisa do Rio de Janeiro e do Brasil. Esse é um breve resumo da décima terceira edição do Simpósio de Oncobiologia, que reuniu cerca de 250 pessoas entre os dias 23 e 25 de setembro, no Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Campus da Ilha do Fundão. E as pesquisadoras tiveram grande destaque no evento - que também premiou os melhores estudos sobre o câncer: 13 dos 15 trabalhos premiados tinham mulheres como autoras principais.


Durante o evento, foi possível conhecer um panorama de pesquisas sobre o câncer realizadas por universidades públicas e institutos de pesquisa no Rio de Janeiro. Noventa e cinco estudos sobre o câncer, atualmente em curso, foram apresentados nas sessões de pôsteres - em que pesquisadores do nível da Iniciação Científica, Aperfeiçoamento, Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado fizeram breves resumos de seus trabalhos, e trocaram informações com o público. Participaram da sessão de pôsteres pesquisadores de 16 instituições: diversos institutos e faculdades da UFRJ, Instituto Nacional de Câncer (INCA), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Norte Fluminense (UENF), Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO), Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (INTO), Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (ENSP), Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Estadual do Cérebro, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira e Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia - além de instituições de pesquisa de fora do estado do RJ, como a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal da Bahia (UFBA).


Premiação


O Simpósio premiou os melhores trabalhos inscritos, que foram apresentados no palco, em breves sessões orais, e também as melhores performances nas sessões de apresentação de pôsteres. Amanda de Oliveira Esteves Moreira, da Faculdade de Farmácia da UFRJ, apresentou sua pesquisa de iniciação científica sobre o papel dos salicilatos em culturas 3D de células de melanoma. Na categoria Aperfeiçoamento, a pesquisadora Caroline Ramos dos Santos (INTO) falou sobre o estudo que busca contribuir com o desenvolvimento de um modelo animal de sarcoma de partes moles com xenoenxertos derivados de pacientes. Amanda Vergueiro Leonel, mestranda do Instituto de Biofísica da UFRJ, apresentou a pesquisa que analisa a participação de O-GlcNAc na resistência do glioblastoma à quimioterapia. Na categoria doutorado, Thales Nepomuceno (INCA) apresentou seu trabalho sobre genética do câncer que investiga a relação da proteína CDK9 com o gene BRCA1 nas respostas aos danos de DNA. Thayana da Conceição Barbosa (INCA), premiada na categoria pós-doutorado, falou da caracterização molecular de subtipos de leucemia linfoblástica aguda e a superexpressão da proteína CRLF2.


O anúncio do resultado da premiação para as apresentações em pôster foi emocionante, e agitou o auditório Quinhentão. Na categoria Iniciação Científica, o prêmio de melhor pôster foi para Bruna Prunes Pena Baroni Viana, do (INCA), e menção honrosa para Louise Jean Vidal dos Santos Silva (IBQM/UFRJ). Na categoria Aperfeiçoamento/ Especialização, Igor Ribeiro do Nascimento (do INCA), menção honrosa para Mariana Saldanha Viegas Duarte (INCA). Na categoria Mestrado, Priscila Dantas de Souza (Instituto de Biofísica da UFRJ), menção honrosa para Juliana Lima de Souza (IBQM/UFRJ). Na categoria Doutorado, Francielly Hafele Matozzo (FURG), menção honrosa para Danielle Gonçalves de Carvalho (INCA). E na categoria Pós-doutorado, Sara Santos Bernardes (INCA), menção honrosa para Lauana Tonon Lemos (INCA).


"Fiquei bem impressionada com a quantidade de trabalhos apresentados na sessão de pôsteres desta edição", afirma a pesquisadora Vivian Rumjanek, coordenadora do núcleo de ensino do Programa de Oncobiologia. "É admirável observar que, uma década atrás, éramos poucos pesquisadores apresentando nossos trabalhos sobre câncer, em um ambiente de troca de conhecimentos muito menor. Espero que os cortes de investimentos em ciência e tecnologia não comprometam esse cenário animador”.


Palestrantes


Paralelamente às apresentações dos jovens pesquisadores, experientes cientistas, que coordenam alguns dos mais importantes grupos de pesquisa básica sobre o câncer no Rio de Janeiro, palestraram. Além de dois pesquisadores, convidados especialmente para o Simpósio.


O pesquisador e médico argentino Guillermo Chantada fez uma palestra que repercutiu muito entre os convidados, mostrando dados do estudo experimental cuja etapa clínica foi conduzida por ele, no Hospital Sant Joan de Déu, em Barcelona, e que utilizou um vírus oncolítico no tratamento de crianças com retinoblastoma (clique aqui para acessar o artigo do pesquisador publicado na revista Science Translational Medicine).


Esse novo tipo de tratamento vem sendo oferecido a crianças com retinoblastomas agressivos e resistentes à quimioterapia. O grupo de pesquisadores trabalhou no desenvolvimento de um vírus oncolítico VCN-01, por modificação genética do adenovírus tipo 5, que foi programado para infectar e multiplicar-se apenas nas células tumorais. Já Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), falou sobre a pesquisa coordenada por ela que investiga a resistência à imunoterapia a partir da análise molecular das células cancerígenas. Mais especificamente, um mecanismo ainda desconhecido de ação do anti-PD1 sobre células da imunidade inata, que expressa PD-1 em pacientes de câncer.


O primeiro dia do Simpósio contou com abertura do Dr. Luiz Augusto Maltoni Jr, da Fundação do Câncer, importante financiadora do evento. A pesquisadora Adriana Bonomo, do Instituto Oswaldo Cruz, apresentou o tema da imunidade adaptativa na progressão metastática, e apresentou dados e resultados sobre sua pesquisa específica sobre o câncer de mama. A longo prazo, a pesquisa busca criar uma metodologia de diagnóstico que possibilite inferir na predisposição da paciente ao desenvolvimento de metástases a partir da análise de resposta dos linfócitos T. Marcelo Soares, do Instituto Nacional de Câncer, apresentou resultados da sua pesquisa sobre marcadores transcriptômicos em cânceres de cabeça, pescoço e cervical associados à infecção pelo HPV (o vírus do papiloma humano). O grupo de pesquisa coordenado por ele utiliza inúmeros dados do The Cancer Genome Atlas (TCGA), comparando as características moleculares e genéticas dos cânceres HPV positivos e negativos.


Ainda no primeiro dia de evento, a cientista e empreendedora Andreia Oliveira falou sobre a plataforma iBench, que oferece serviços que facilitam o trabalho dos cientistas, conectando compradores e fornecedores e diminuindo a burocracia. A iBench foi uma das apoiadoras do Simpósio.


O estudo do câncer colorretal e sua condição de metástase e resistência às terapias esteve presente na apresentação do pesquisador José Morgado, do Instituto Nacional de Câncer. O grupo do INCA trabalha na caracterização das células cancerígenas na etapa da Transição Epitélio Mesenquimal, que visa contribuir na busca por marcadores e potenciais alvos terapêuticos. Wagner Barbosa Dias, da UFRJ, falou sobre as pesquisas coordenadas por ele que investigam o papel da glicosilação intracelular em modelos de câncer de cólon, melanoma e glioblastoma. O grupo investiga o papel do processo de O-GlcNAcilação no início do desenvolvimento e na metástase do câncer, e investiga também possibilidade de prognóstico do câncer a partir de componentes relacionados a esse processo bioquímico.


José Garcia, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, apresentou dados e resultados de sua pesquisa que investiga compostos naturais contra o câncer colorretal utilizando o embrião da rã xenopus como modelo científico. O grupo estuda a via de sinalização celular WNT/Beta-catenina, cuja superexpressão está associada a alguns tipos de câncer. Patrícia Bozza, do Instituto Oswaldo Cruz, abordou o tema do metabolismo dos lipídios e sua relação com o câncer. Alguns resultados do grupo de pesquisa sugerem que os corpúsculos lipídicos, organelas envolvidas no metabolismo lipídico e inflamação, poderiam ser utilizadas no diagnóstico e prognóstico de câncer colorretal, ou como alvo para terapias.


Robson Monteiro, coordenador do Programa de Oncobiologia, avalia de forma muito positiva o evento: “A décima terceira edição do Simpósio de Oncobiologia foi um sucesso. A participação de pessoas oriundas de diferentes instituições, inclusive de fora do estado do Rio de Janeiro, demonstra que o principal objetivo do encontro foi cumprido: permitir a interação entre pesquisadores interessados nos diferentes aspectos da biologia tumoral. A programação foi de alto nível, com palestras excelentes, e os trabalhos premiados nas sessões orais e na sessão de pôsteres evidenciaram a qualidade da pesquisa realizada na área. Parabenizo a comissão organizadora pela eficiência no preparo e na condução do evento. Por fim agradeço à Fundação do Câncer pelo imprescindível suporte financeiro. Que venha o XIV simpósio em 2020!”


Por Rosa Maria Mattos, jornalista de Ciência, responsável pelo Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia.




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