Impacto do Exercício Físico no Desenvolvimento do Câncer Colorretal
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Resumo elaborado por Vitória Gomes dos Santos, estudante de graduação em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia na UFRJ e extensionista do Populariza a Ciência do Câncer
Em setembro de 2025, o professor Rodrigo Soares Fortunado, do Laboratório de Fisiologia Endócrina Doris Rosenthal, da UFRJ, participou de uma das edições do Oncowebinars, a série de seminários online do Programa de Oncobiologia. A fala de Rodrigo (assista aqui o seminário completo) compõe uma série de seminários que têm privilegiado cientistas recém credenciados ao Programa de Oncobiologia como líderes de grupo.
Fiz um apanhado geral da participação do pesquisador, que logo no início de sua fala aborda a incidência do câncer colorretal no mundo, sendo mais comum em países de estilo de vida ocidental, onde há uma boa parcela da população sedentária, há piora da alimentação e diminuição da atividade física. As principais causas do câncer de colorretal, segundo o professor, não são genéticas: somente 12% está relacionado a síndromes hereditárias, 25% tem histórico familiar e 60-65% são esporádicos - não relacionados com hereditariedade.
“Eu gostaria de chamar atenção que é um câncer que tem vários fatores de risco não-modificáveis, como etnia, idade avançada, sexo, mas também vários fatores modificáveis”, diz Rodrigo, especificando padrões e hábitos como alimentação, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo, diabetes tipo 2 e exposição ambiental.
Ele destaca ainda que vem ocorrendo um aumento no número de incidência desse tipo de câncer em pessoas abaixo de 50 anos, principalmente em países avançados e sedentários, e reitera a importância de outros pesquisadores, como Edenir Inez Palmero, que estuda o aumento de câncer colorretal na população jovem.
“O exercício físico, a atividade física, surge como uma estratégia tanto para prevenção quanto para tratamento, junto dos medicamentos, no câncer colorretal.”
A afirmação é baseada na literatura e na pesquisa do professor. Já se sabe que os exercícios ajudam a ter uma vida mais saudável e diminuem as chances de ficar doente, mas hoje em dia as questões levantadas por diversos pesquisadores são outras:
Quais exercícios e em que intensidade fazem diferença?
E quais são os mecanismos afetados, os que podem diminuir ou aumentar a chance de ter o câncer colorretal?
No modelo deles, alguns dos camundongos fazem 30 minutinhos de exercícios toda semana, 5 vezes por semana. Depois de algumas semanas é administrado uma substância cancerígena (DSS) por 11 semanas, a fim de ver como será o desenvolvimento da doença. O índice de atividade da doença foi maior nos que NÃO fizeram exercícios, além disso também viram que, entre os que tinham câncer, o desenvolvimento foi menor nos que estavam se exercitando.
O grupo de animais sedentários sem exercícios tiveram diminuição do tamanho do cólon, típico das inflamações e mudanças no tecido devido à doença, e desenvolveram mais pólipos (pequenas elevações no tecido do cólon). Mas só ver essas mudanças não era o suficiente, os pesquisadores também fizeram uma pontuação de dano microscópico, ou seja, mediram o quanto o câncer afetou o camundongo e deram pontuações aos diferentes tipos de dano, confirmando que houve mais dano nos camundongos sedentários.
Encontraram alterações com relação à moléculas de importantes vias: β catenina, precursores inflamatórios e anti-inflamatórios, e alterações na expressão de NAD+. Com essas análises mais específicas, muitas dúvidas interessantes surgiram, mas uma coisa é certa: foi possível concluir que os camundongos que fizeram exercícios tinham índices menores de desenvolvimento e progressão da doença, mostrando a importância do exercício como tratamento também.
Com isso, o grupo liderado por Rodrigo pôde concluir que o exercício diminuiu sinais clínicos da doença, alterações morfológicas, número e gravidade de lesões histopatológicas, além de alterações em vias metabólicas. Agora o grupo tem como perspectiva entender como diferentes vias metabólicas estão sendo alteradas pela presença dos exercícios na rotina dos camundongos.
Quer entender melhor essa pesquisa? Assista abaixo a íntegra do webinar do professor Rodrigo:
Edição do texto: Felipe Siston, jornalista e divulgador científico do Programa de Oncobiologia






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