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Investigando biomarcadores do câncer de próstata

Atualizado: 14 de fev. de 2023

Os biomarcadores moleculares do câncer são moléculas que apresentam indícios da presença dos tumores, de seu estágio de desenvolvimento, ou ainda podem indicar resposta à terapia , bem como avaliar a evolução de um tumor. São moléculas produzidas especificamente por células do câncer, e que, quando são identificadas no sangue ou em algum tecido, denunciam a presença do tumor. Mas além de denunciar a presença do câncer, e se esses biomarcadores servissem também para que os cientistas conseguissem matar as células cancerígenas? É justamente para conhecer melhor essas "pistas" biológicas e todo o seu potencial no diagnóstico e terapia do câncer que trabalha o Grupo de Biomarcadores Moleculares em Câncer, que reúne pesquisadores da Universidade Federal Fluminense e do Instituto Nacional de Câncer.


Uma das linhas de pesquisa do grupo é compreender a ação de um biomarcador do câncer de próstata chamado PCA3 (Prostate Cancer Antigen 3 Gene, em inglês). O PCA3 é um gene específico das células da próstata, mas que apresenta um comportamento incomum nas células tumorais: as células do câncer de próstata apresentam um nível altíssimo do RNA mensageiro do PCA3.


Além de indicar a presença ou não do câncer de próstata, essa produção característica do PCA3 pode auxiliar que os cientistas criem novas abordagens para as terapias, que ataquem somente as células do câncer de próstata. “Fizemos experimentos silenciando ou diminuindo a expressão do PCA3 nas células tumorais, e observamos que elas morreram por um processo de morte celular programada – ou apoptose. Desde então estamos investigando como se dá a ação dessa molécula nos mecanismos que controlam a sobrevivência das células, o que significaria descobrir como induzir as células do câncer de próstata à morte”, afirma Etel Gimba, professora da UFF, coordenadora do grupo de pesquisa e integrante do Programa de Oncobiologia da UFRJ.


E como transformar essa descoberta em cura para os pacientes com câncer? “Uma possível abordagem terapêutica seria que inseríssemos moléculas, ou alguma estratégia molecular que, ao ser incorporada nessas células, induziria a diminuição da expressão desse gene, levando à morte dessas células tumorais de maneira específica, sem afetar células saudáveis”, diz Etel.


Outra pergunta que o grupo pretende responder é como o PCA3 controla a capacidade das células tumorais se tornarem mais invasivas e migratórias, levando à temida metástase do câncer de próstata.


“A gente já sabe que o PCA3 está envolvido na sobrevivência das células de câncer estacionárias, e já vimos também que está envolvido, de alguma forma, na mudança dessas células para uma configuração mesenquimal, quando elas começam a adquirir a capacidade de invadir tecidos, vasos e circular na corrente sanguínea. É por isso que queremos entender se, quando e como o PCA3 poderia controlar a formação de metástases, que é a principal causa de morte dos pacientes com câncer de próstata”, conta Etel. Para isso, será necessário realizar experimentos específicos de formação de metástases, para comparar a capacidade dessas células de formar outros tumores além do tumor inicial, quando estão com o gene PCA3 “ligado" ou “desligado”.


Os experimentos são realizados no laboratório da Universidade Federal Fluminense, na cidade de Rio da Ostras, na Região dos Lagos, e no Inca, e são todos realizados in vitro – ou seja, em laboratório. Para que a pesquisa básica se desenvolva até uma proposta de novo tratamento, são necessárias ainda pesquisas com animais e clínicas.



Por Rosa Maria Mattos, jornalista de Ciência, responsável pelo Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia.

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