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Facebook contra o câncer

O Facebook é a rede social com o maior número de usuários em todo o mundo - mais de 2 bilhões de pessoas. E como pesquisadores e profissionais da saúde podem utilizar essa poderosa ferramenta de comunicação para promover saúde e salvar vidas? Mais especificamente: como melhorar as mensagens sobre câncer publicadas nas páginas de Facebook? Essa é a pergunta título do artigo das pesquisadoras Priscila Biancovilli e Claudia Jurberg, publicado na revista JMIR Cancer.

O objetivo da pesquisa foi identificar estratégias de comunicação para que posts sobre fatores de risco para o câncer, prevenção, tratamento, diagnóstico precoce e cura tivessem o maior engajamento possível, entendendo as características que tem o potencial de envolver mais pessoas. O estudo contou com recursos da Fundação do Câncer.


"Acho importante que os profissionais da saúde e pesquisadores estejam atentos a oportunidades de popularizar a ciência e o conhecimento produzido dentro das universidades utilizando o Facebook. Estamos vivendo uma onda de fake news, em diferentes âmbitos, e se os cientistas que produzem conteúdo relevante e confiável não fizerem nada, o conteúdo falso se espalha e um número maior de pessoas começa a acreditar naquilo, o que é muito perigoso", afirma a mestre e jornalista Priscila Biancovilli.


A pesquisa, que foi o tema de mestrado de Priscila no Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, da UFRJ, analisou o conteúdo postado por 16 páginas no Facebook dedicadas ao câncer. Durante um mês, as pesquisadoras coletaram 712 posts e dividiram as postagens em 8 categorias: "depoimentos ou histórias reais", "solidariedade", "datas comemorativas", "ciência e saúde", "eventos", "conteúdo institucional", "fatores de risco" e "beleza". As próprias páginas também foram categorizadas, de acordo com o perfil dos seus proprietários, como "hospitais e fundações", "informativos", "organizações não-governamentais" e "páginas pessoais", por exemplo.


Os dados coletados mostraram que a comunicação sobre câncer no Facebook pode - e muito - melhorar. As categorias de conteúdo que geraram maior engajamento (índice que soma comentários, curtidas e compartilhamentos) foram pouco utilizadas pelas páginas analisadas. Nas páginas informativas, por exemplo, a categoria de conteúdo com maior engajamento foi "depoimentos", apesar de sua pouca frequência no período analisado: correspondeu a apenas 9,5% do total de postagens. Já a categoria "ciência e saúde", a mais frequente nas páginas informativas (com quase 50% do conteúdo) foi o quinto lugar em popularidade, considerando o número de engajamentos.


Cursando doutorado na Hungria, a pesquisadora Priscila Biancovilli está dando continuidade à investigação sobre o potencial do Facebook na promoção da saúde contra o câncer. "Nesta nova pesquisa, estou analisando páginas dedicadas ao câncer de mama, no Facebook e no Twitter, que produzem seus conteúdos em inglês, e identificando quais conteúdos são os mais compartilhados pelos usuários. Estamos analisando também a credibilidade das fontes, e se o conteúdo é sensacionalista e tendencioso ou se é bem apurado", afirma Priscila, cujo doutorado só deve ser defendido em meados de 2021.


Prevenção é cura


Conhecer os principais fatores de risco é decisivo para que cidadãs e cidadãos possam prevenir o câncer. Um estudo recém-publicado na revista Cancer Epidemiology pelo departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo e a Universidade de Havard mostrou que mais de cem mil casos câncer poderiam ser evitados por ano, no Brasil - e fatores de risco como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, falta de atividade física e alimentação não-saudável estão associados a cerca de um terço das mortes provocadas por 20 tipos de câncer no país.



Por Rosa Maria Mattos, jornalista de Ciência, responsável pelo Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia.

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