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Estudo estima índices de sobrevivência ao câncer no Brasil

Estudo estima índices de sobrevivência ao câncer no Brasil

No Brasil, quase 75% das pessoas diagnosticadas com câncer de mama sobrevivem à doença cinco anos após o diagnóstico, enquanto menos de 20% sobrevivem ao câncer de pulmão. Estas são algumas das conclusões de um estudo realizado por pesquisadores da Fundação do Câncer, que estimou a sobrevida ao final de 5 anos em seis diferentes tipos de câncer, baseada nos Registros de Câncer de Base Populacional de todas as regiões do Brasil. Os resultados podem ser utilizados para acompanhar o histórico da doença, planejar e avaliar as ações de saúde, entre muitas outras análises.


O artigo foi realizado pelo médico Alfredo Scaff e a bióloga Rejane Reis, ambos também epidemiologistas, que calcularam a sobrevida a partir da razão entre a mortalidade (M) e a incidência (I). Essa razão define a letalidade por câncer. O complemento da letalidade, calculada a partir da fórmula 1-(M/I) é que pode ser considerada sobrevida em 5 anos. Foram utilizadas informações de 22 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) em diferentes municípios brasileiros.

- Esse tipo de metodologia já é utilizado em outros países, mas tem sua aplicação restrita no Brasil, afirma Scaff.


"Existem muitos estudos de sobrevivência realizados em hospitais específicos, por exemplo, que mostram a sobrevivência dos pacientes diagnosticados e tratados ali. Mas esse tipo de estudo não expressão populacional. Nosso trabalho é uma estimativa feita a partir dos dados dos RCBP, que podem ser extrapolados para as regiões e para o Brasil", Explica.


Em artigo recém-publicado na “Journal of Public Health and Epidemiology“, os pesquisadores apresentaram essas informações para seis tipos de câncer (de mama, pulmão, colo-retal, estômago, próstata e cervical) por gênero do paciente e por região, além de apresentar uma média nacional.

Os resultados evidenciam a desigualdade entre as regiões brasileiras. Por exemplo, enquanto na região norte apenas 9% das mulheres com câncer de pulmão têm chances de sobreviver, na região sul esse número sobe para 27%.

- No mundo inteiro, os Registros de Câncer são a base para o planejamento em saúde pública porque levam em consideração as características populacionais das regiões, diz Rejane Reis. "Esse é um primeiro estudo, que mostrou um perfil. Se refizermos esse estudo daqui a 10 anos, por exemplo, poderemos fazer uma comparação dessa estimativa de sobrevida encontrada, e buscar entender as mudanças".

Os pesquisadores estão trabalhando agora em uma nova pesquisa que apresenta os dados de mortalidade do câncer em uma série histórica de 1979 a 2014, comparando as informações das capitais e cidades do interior.




Por Rosa Maria Mattos, jornalista de Ciência, Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia. Publicado em 13/08/2018.


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