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Celebração da vida



Câncer não é uma sentença de morte e uma prova disso foi o 5º Congresso Todos Juntos contra o Câncer (TJCC) que ocorreu na última semana, em São Paulo. Mais de 3 mil congressistas, incluindo profissionais de saúde, pacientes, ex-pacientes, autoridades como procuradores de Justiça, políticos em campanhas e jornalistas dos mais variados veículos de imprensa.


Organizado pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), uma organização não governamental, o TJCC é um movimento criado há 11 anos e que hoje congrega cerca de 130 entidades, em 12 Grupos de Trabalho, focados em algum aspecto do cuidado ao paciente com câncer.


Na abertura do evento, a Presidente da Abrale, Merula Steagall, falou sobre o propósito coletivo de defesa do paciente e de proteção à vida com acesso a tratamento adequado. Segundo ela, “para problemas complexos, é preciso ter soluções coletivas e o evento TJCC busca exatamente isso.”


As temáticas foram as mais variadas e levaram dezenas de participantes a enfrentarem filas para assistir o historiador Leandro Karnal e suas provocações filosóficas sobre a arte do viver mesmo em condições adversas; ou o navegador Amyr Klink e suas lições de sobrevivência em locais inóspitos e solitários. Outra atração foi o cantor Fábio Jr que emocionou a plateia com suas músicas de superação.


No área científica, os 30 anos do SUS: avanços e retrocessos como o financiamento foram debatidos por dois ex-ministros, José Gomes Temporão e Luiz Carlos Bresser Pereira, além de outros convidados. Outra importante temática debatida foi o câncer pediátrico. Organizada pela Fundação do Câncer, a mesa-redonda abordou as estimativas para este ano de cerca de 12 mil novos casos. Além disso, o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, falou sobre sucessos alcançados nos tratamentos de crianças. Atualmente, mais de 70% das crianças continuam vivam após 10 anos. Participaram ainda do debate Roberta Marques, do Instituto Desiderata, e Dr. Vicente Odone Filho, especialista em câncer infantil do Hospital Israelita Albert Einstein.


A eficácia da imunoterapia em câncer de pulmão, cabeça, pescoço e rim foi tema de outro debate mediado pela jornalista Cilene Pereira, editora de saúde da Revista IstoÉ. Segundo os participantes, apenas 40% dos pacientes respondem a imunoterapia e hoje há uma explosão de novas drogas em pesquisa oncológica. Pesquisa clínica e indústria farmacêutica: participar é seguro também foi tema de debate. Dr. Antonio Carlos Buzaid, do Hospital Israelita Albert Einstein, abordou a importância do Brasil participar de estudos clínicos.


Vários convidados também abordaram a perspectiva que em 10 anos o câncer será a primeira causa de óbito no país, ultrapassando as doenças cardiovasculares. Nesse sentido, a unanimidade é que é preciso investir em prevenção e diagnóstico precoce. Outro aspecto também debatido foi a Lei dos 60 dias que afirma que todo paciente com câncer tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no SUS nesse período e que isso nem sempre tem sido respeitado, segundo depoimentos de participantes de estados do Norte e Nordeste, onde faltam centros especializados para o câncer pediátrico. Para Dra. Nise Yamaguchi, do Instituto Avanços em Medicina, “não adianta diagnóstico precoce se não houver acesso ao tratamento.”


Ainda durante o evento foram apresentados o Observatório de Oncologia com compartilhamento de informações científicas em banco de dado nacional, o OncoEnsino, uma plataforma online que disponibiliza cursos na área de oncologia, e alguns processos vitoriosos de advocacy, que é a arte de investigar, diagnosticar problemas e propor soluções e ações política, empreendidos por entidades como OncoGuia.


Por Cláudia Jurberg, jornalista de Ciência, responsável pelo Núcleo de Divulgação do Programa de Oncobiologia. Publicado em 1/10/2018.


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